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REALIDADE OU IMAGINAÇÃO?

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ENTREOLHAR(ES)                                                   REALIDADE? IMAGINAÇÃO? Cu stou-me acreditar que era real. Mas o que é ser real? Qual o limite que separa o real do imaginário, se um gera o outro e acabam por se emaranhar ou se engalfinhar na cabeça da gente, deixando-a temerosa de   ter perdido a lucidez? Creio que já experimentei essa perda algumas vezes ou me senti no limite máximo dessa fronteira. Uma delas foi durante uma festa   que homenageava a imaginação e a forma de transformá-la em histórias feitas com tijolos de palavras. O lugar era mágico por si, cheio de ruelas calçadas de pedras altas, separadas e desiguais, que desembocam umas nas outras feito rios que perderam a direção do oceano....
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NA HORTA DE DONA MARIA “O mundo bem poderia ser uma grande horta: canteiros sem fim, terra fértil, nossas sementes se espalhando, nosso corpo ressuscitando de sua grande e mortal letargia.” No livro “Retratos de um tempo”, referi-me ao Bairro do Arraial do Sapo, em Cordeiro, como “Arraial de Muitas Histórias”, e assim o vejo e assim ele é. A mais antiga notícia que tenho dele foi publicada no jornal Gazeta de Cordeiro, nº 39, de 28/06/1898, portanto há 114 anos. Falava de um conflito ocorrido no referido local entre José Picapao e Manoel Fonseca, tendo um golpeado o outro, sem vítima fatal. Também foi o Arraial vítima de muitas enchentes que causaram estrago à área ribeirinha. Mas nenhuma intempérie impediu que o bairro se formasse e crescesse sob as mãos de famílias que se eternizaram no local. Nasci nesse arraial. Passei parte de minha infância ali. É, ali onde o trem despertava o povo e os lembrava que era hora de dormir, com o apito forte e o barulho nos trilhos. T...
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DO OLHAR Justificando ... O autor Juvenal Arduíne, em seu livro O Estradeiro, aborda o olhar e o faz de uma forma significativa e poética, transgredindo o dicionário, mas que se aproxima muito do fascínio que tenho pelo termo e sua polivalência. Afirma ele que o olhar é a morada do homem, é seu universo, arquivo documental das experiências vividas e reflexo das lições apreendidas. Leonardo da Vinci descreve os olhos como janela da alma e espelho do mundo. Então é preciso manter essas janelas bem abertas , mas ao mesmo tempo bem guardadas para que não passe por elas o que não for digno de fazer morada na alma. O mundo, segundo da Vinci, se mostra de acordo com o olhar que deitamos sobre ele, deixando-se refletir nas imagens que dele captamos. O mundo então é o resultado do que extraímos dele.Assim, é único,  individual na perspectiva de cada olhar. Na literatura, poucos retrataram o mistério e a força do olhar como Machado de Assis, um verdadeiro fotógrafo do cotidiano d...
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ONDE DEUS ME PLANTOU “ terra de flores... florestas verdejantes” Nascer e chegar à “matura-idade” num mesmo espaço geográfico, é sentir-se plantado nele. É sentir-se raiz que penetrou na terra e lá se espalhou, sustentando um caule incapaz de se deslocar porque se sente feliz ali, ora carregado de flores, ora completamente despido delas, mas ali, como se tivesse sido plantado pelas mãos de Deus.Sou este tronco hoje. O solo que me abriga é Cordeiro, terra que recebeu a semente que fui e que permitiu que ela germinasse e desse frutos que sucederam as flores poucas e singelas, mas que eram e ainda são as que pude produzir como mulher de tempos outros, de vida difícil e que exigiu muito trabalho e perseverança. Mas falar de mim é simplesmente um pretexto. Quero mesmo é falar da terra cordeiro, “agnus dei”, onde Deus me plantou.Cordeiro é solo fértil e semente nele lançada. É celeiro humano que abastece e se reabastece da arte dos filhos que a eternizam, sem sofrer da inferti...
Quem sabe? Noite chuvosa Jornal fechado, livro caído, relembro tempos idos, sofridos. Quando... Tu batias à porta, eu batia a porta e não abria. Sofria. O vento varava a janela, entrava e não obedecia a necessária noite de solidão. Desafinado, ele  cantava sem mesmo saber a canção. Trazia na voz o recado que de tão desgastado já não causava emoção. Ainda assim respondi. Disse que não desistisse, que voltasse num outro momento, que quem sabe após tanto tormento, eu  dormisse e no sonho, a porta eu abrisse
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ESTAÇÃO: OUTONO Quem vai parar? O ano tem corrido tanto que nem tem mais olhos para a paisagem do seu percurso que dura 365 dias. Apressado, não tem parado regularmente nas estações e nem reparado a beleza que caracteriza cada uma delas. Agora mesmo, abril já se despede e ele parece que não se deu conta de que chegou a uma nova parada , onde não há placa indicando, mas cujo nome é Outono. Para não se perderem do tempo, as pessoas embarcam no ritmo dele, correm junto, sem se perguntarem ao menos para onde estão indo ou aonde querem chegar. Este fato me faz lembrar do encontro de Alice, aquela do “ país das maravilhas” com o “Gato de Cheshire” , momento em que ela pergunta ao gato qual o caminho a tomar para sair daquele local e ele respondeu que dependia de para onde ela queria ir. A menina disse que não importava muito para onde. O gato então filosofou, afirmando que a quem não sabe para onde quer ir não importa que caminho seguir- uma lição. Mas voltando ao Outono, embo...
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“ DEVAGAR... AS JANELAS OLHAM” Um título entre aspas? Sim, respondo logo e explico: Trata-se de um verso de Carlos Drummond de Andrade, um dos poetas que mais deitou seus olhos sobre o cenário, os acontecimentos e as pessoas ao seu redor. Verso que encerra o poema  Cidadezinha qualquer”, no qual ele descreve cenas do cotidiano , vistas, acredito eu, da janela em que se encontrava no instante da criação, ou seja, num lugarejo do interior mineiro ou no que idealizou na sua rica imaginação. Como é próprio da poesia, surge da leitura do verso em questão, um tom ambíguo: Janelas olham devagar ou precisamos ir devagar (com cuidado), pois as janelas olham? Aposto nas duas possibilidades. Janelas não veem, mas nos permitem ver através delas, se a abrimos .E então o olhar pede um andar vagaroso, para que não perca cada detalhe. Cheio de subjetividade, observa e reflete . Mas dependendo da leitura, janelas podem ser tomadas como pessoas maldosas, que não olham, observam com uma do...