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Mostrando postagens de 2008

Loucura

Loucura Nas muitas idas e vindas, manhãs feias, outras lindas, desvendei mistérios conhecidos que de tão simples andam perdidos, esquecidos no meu ser. Descobri estrelas pontuando o céu, a timidez da lua envolta num véu e um louco sol ao piano, entre acordes de desenganos a dor querendo vencer. Pode ser? Pode ser mesmo um desvario, ou quem sabe um desvio desta mente cansada de ser ? Ou de não ser. Questão que não ouso responder. Não me encontro, não sei quem sou. Entre febres e desvarios, cato morangos e sigo vadio, perseguindo um amor perdido, ancião sendo menino, na loucura por você. Madalena Tavares 26/09/05 Loucura mesmo é acreditar-se poeta na impossibilidade de ser. É misturar maluquez com lucidez, ficar maluco beleza, do jeito "raulseixas" de ser. É o caminho que eu mesma escolhi Mas isto foi em 2005. Hoje...

Da emoção de ver seu nome

Não, não é nenhuma vaidade pessoal, o que vou postar neste instante, mas pura emoção e um certo orgulho por rever a própria vida e o que esta nos reserva quando acreditamos nela.Nasci Leninha, com Maria Madalena no registro e no batismo, num correr de casa simple, como simples foi o decorrer dos fatos a partir daí. Moradia modesta, roupa de igual condição, um pouco de cada coisa necessária. E só o necessário. Mas algo transbordava detro de mim, a vontade de saber, de descobrir como as outras pessoas aprenderam tanto. E vieram as letras, na cartilha, no caderno, nos livros, revistas, na tela do cinema... e fizemos um pacto de amizade. Fomos tão sinceras e tão amigas que nunca mais nos separamos. De tanto admirá-las em escritos alheios, cheguei aos meus dois modestos livros. De tanto ler, recortar, guardar e usar bons textos de jornais,cheguei a escrever para estes. Claro, jornais aqui da nossa região. Colecionei crônicas de Veríssimo, João Ubaldo,Artur da Távola e tantos outros, encader...

Mudaram os domingos?

Mudaram os domingos? Não é mais ele o primeiro dia da semana que sempre pensei ser o último? Ou fui eu que mudei? Passava-se a semana aguardando o domingo que surgia ensolarado, com brilho revelador de surpresas.O sono podia esticar um pouco, mas não se acordava com gosto de ressaca, pois que os sábados terminavam mais cedo, com beijos no portão e a certeza de reencontro no domingo. Gosto de domingo era o da macorronada caseira, do frango assado com farofa e o pudim de leite da sobremesa. A casa extremamente limpa e arrumada, flores frescas e cheirosas nas jarras, café fresquinho e o bolo redondo para aguardar as visitas. Vía tudo e aprovava, integrada para não perder a permissão de uma "idinha" até a rua com as amigas. Lá, tudo podia acontecer. Um sorvete, um batepapo agradável, a ida ao campo, ver o "flerte" jogar ou o encontro discreto com esse "flerte" para ver o jogo como desculpa para que nosso olhar se fundisse, as mãos se alcançassem e os lábios, b...

Nosso melhor retrato

Voltando ao Museu da Língua Portuguesa, quero enfatizar a frase que encerra uma série de conhecimentos sobre este tão rico e tão nosso patrimônio: a língua portuguesa: "Nossa língua é o nosso melhor retrato." Com certeza o uso que se faz do idioma pode revelar muito de nós. Por exemplo, se temos domínio da norma culta e a colocamos em prática, ou seja , falamos e escrevemos segundo as normas gramaticais, demonstramos o grau da cultura acadêmica que possuímos, nosso volume de boas leituras realizadas, o cuidado que temos com a nossa imagem e respeito à língua, um dos símbolos da pátria.Claro que existem situações em que o mais importante é a comunicação, seja ela realizada segundo os preceitos da norma culta ou não. E o fato merece respeito, pois num país de desigualdades econômicas e consequentemente sociais, onde nem todos têm acesso à escolaridade e , mesmo que tenham, não recebem um ensino de qualidade, a solução é usar a língua como pode, como recebe de seus iguais.Tr...

O Museu da Língua Portuguesa na Estação da Luz

O museu fica na Estação da Luz. Aliás, que luz foi essa de criar algo tão importante dedicado a este patrimônio do povo brasileiro, a sua língua?!Pois é.O espaço é algo surpreendente pelo conteúdo, pela forma de apresentação desse conteúdo, através de images em movimento e sons. São três andares. O primeiro é todo ele dedicado a Mahado de Assis e não poderia ser diferente, sendo ele o grande mestre, maestro, escritor da língua portuguesa. A apresentação do autor e da sua obra é fantástica e uma justa homenagem a ele no seu centenário de morte.O segundo andar trata de mostrar a origem do nosso idioma, sua evolução ao longo do tempo e as contribuições de outros povos para o nosso vocabulário. Mostra palavras de origem indígena, africana, inglesa, espanhola, dentre outras, apontando a cultura de onde vieram ao nosso encontro. E o faz de forma lúdica, agradável, com imagens em movimento e muito colorido.É uma forma de valorizar nosso idioma e apelar para o nosso respeito e afeto por ele,...

Alguma coisa acontece no meu coração...

Acabo de chegar de São Paulo. Por incrível que pareça,o Shelton Inn Hotel, onde me hospedei,ficava a um passo do cruzamento entre a Ipiranga e a avenida São João. Ali, senti que alguma coisa acontecia no meu coração, como há tantos anos deve ter acontecido com o baiano Caetano Veloso, que não entendia tanto concreto nas esquinas e a deselegância das meninas paulistas, acostumado que estava à exuberante beleza natural de São Salvador e às baianas sensuais da praia de Itapoã. É deveras uma cidade cinzenta, apesar do sol, de pouca gente pelas ruas, de pouco sorriso e nenhuma graça.Mas de muita cultura a ser oferecida ao povo, como tributo à memória brasileira, através de sua gente, na lente de quem ama este país de tantas riquezas naturais e miséria humanas. Caminhando rumo à Estação da Luz, fiquei parada um pouco, separada do grupo de pessoas com quem viajei, olhando aquele famoso cruzamento, imortalizado pelos Novos Baianos que para São Paulo se dirigiram em busca de sucesso e reconh...

A arte de correr na chuva

A arte de correr na chuva O título não é meu, mas de Garth Stein, autor do livro que estou lendo, cujo narrador é um cachorro, fã, como seu dono, da Fórmula 1 e que tem como herói Ayrton Senna. O cachorro, de nome Enzo, como diz o autor, não fala, mas analisa tudo que se passa. Ele é um " estudante do mundo ao seu redor". A partir das primeiras páginas, dá para perceber que Enzo é um cão de alma humana.Ele assistiu pela tv, com o dono, o Grande Prêmio da Europa, em 1993, quando Ayrton Senna mostrou que era um gênio na chuva, ultrapassando 4 carros dos mais renomados pilotos, na volta de abertura: Schumacher,Wendlinger, Hill e Prost, como se tivesse um " feitiço mágico". A partir da observação da arte do piloto brasileiro, Enzo observa a vida, as pessoas e, sob sua narração silenciosa, nos mostra a importância de se doar, de acreditar num ideal e vencer apesar dos obstáculos, metaforicamente chamados "chuva" , numa "pista molhada", momentos difíce...

De maio a outubro

Passou tanto tempo. Tantas coisas aconteceram...É, são vinte de outubro hoje. O mundo está ameaçado por uma crise econômica que não pedimos ou criamos.Ela partiu do paraíso da modernidade, do luxo, do milagre de enriquecimento que atraiu tanta gente ( muitos brasileiros): os Estados Unidos. Sim , um país plural( ou no plural) que rege o verbo também no plural: os Estados Unidos são... São o quê? Um exemplo de orgulho, de poder ilimitado, que arrota superioridade, que se acha no direito de interferir em guerras, tomar partido, enviar milhares de soldados à morte, deixando órfãos pais, filhos, mulheres, poluir o planeta,ditar regras para o mercado...São donos de um idioma (quase) universal e inspiradores de modismo seguido pelos mais pobres e fracos. Os brasileiros, por exemplo. Repararam como o idioma inglês impera sobre o português? Inúmeras palavras inglesas foram aportuguesadas pela força do uso, mas já não fazem sucesso. Bom mesmo é na forma original. "in off", "on-l...

Texto de maio em setembro

Cheguei. Tombei-me de imediato sobre a vontade de escrever. É maio e o mundo desmaia lentamente sob ameaça de fome anunciada. Seria o início do fim? Pais matam filhos no Brasil, onde o solo é fértil e permite plantar. Terremoto mata milhares na China que faz cálculo do número de pessoas que poderá alimentar num futuro próximo, sem ter o que colher. O cafezinho na Assembléia do Rio é superfaturado. Cidades perdem auxílio para o transporte escolar porque não prestaram conta do minguado recurso recebido. Prestar conta é preciso. Para os pobres, claro, enquanto os ricos têm cartão corporativo sem limites para gastar.O NY Times diz ser a Floresta Amazônica de todos, mas seu futuro , parece, não será de ninguém. No entanto, eu criei um blog. Sou blogueira, sim, senhor. Se falo besteira, é porque não há outra maneira de refletir sobre a realidade. Mas também sei fantasiar, criar mundos cor - de - rosa, rosa chá. Chegaremos lá. Não perco a esperança. Sei aguardar. Amadalena

Quase fim de inverno

Quase fim de inverno Que bom! Até que gosto de frio, de me arrumar no inverno, principalmente de dormir no inverno. E de sonhar. Mas quando ele chega ao fim traz um quê de alegria abafada, de esperança renovada, de amor reconquistado.Já se anuncia um cheiro colorido no ar. Olho meu jardim.A touceira de orquídea em cachos está cheinha de botões já entreabertos.Nos canteitos há flores se abrindo, pontuando aqui e ali , formando painéis variados.Pena que não chove há tanto tempo! Com isso,muita secura, pouca certeza. Mas fica ainda alguma poesia: "É preciso amor pra poder pulsar/É preciso paz pra poder seguir/É preciso a chuva para florir'

Comentariando...

Nova prova olímpica para brasileiros Estive observando e rindo muito com Roberta ( minha filha) dos tombos de participantes brasileiros nas Olímpíadas em Pequim. Foram tantos que bom seria se estivessem valendo medalhas. Na ginástica, no hipismo, no salto de vara... Nossa classificação estaria muito melhor. Um baiano supercarioca Dorival, das tardes de Itapoã, não viveu nem morreu ao som do mar de Itapoã. Preferiu Copacabana. Não ria de nós, Argentina... É, por que tanta graça?Foram 3x0, onteM, é claro, mas já houve placares que nos fizeram muito felizes também. Verde e amarelo em Pequim Nunca vi tanto uniforme verde e amarelo como nas competições em Pequim. Meio distraída que sou, achava que era concorrente brasileiro, me empolgava, torcia e, quando via, era da Jamaica, do Congo, da Nigéria e sei lá mais de onde. Gostaram da cor, em!!!!!!!! Mas chega de tristeza...SÃO 50 ANOS DA ' invenção' da bossa nova. Tchau!!!!!!!!
Entre... linhas em cores com alma Muitas linhas. Sinuosas, retas,perpendiculares...Talvez estradas de um percurso vago da alma por um mundo desconhecido , preenchido de tons variados, diferentes facetas de um mistério a ser desvendado.Impossível.A alma do artista, seu mistério, ninho de sua inspiração, é impenetrável.Ela se fecha nas linhas e se oculta nas cores com que o pincel vai definindo e dando vida, na tela branca e plana para onde migrou.São telas independentes no espaço, mas presas no processo de criação que evoluiu através de mãos guiadoras de quem foi definido artista.Vejo velas que se movem sem vento, vejo luzes no escuro, vejo vida no vácuo vazio de vida.Ouço vozes que se multiplicam no eco que se permite ouvir apenas pelos amantes dos traços e cores.Leio lindos poemas que não são escridos nem recitados.Dormem no entre... linhas em cores.Vejo beleza, harmonia.Vejo arte nova, crescida, crescente em suas telas, Alessandro.Madalena Tavaresjulho de 2008

Gaivotando pelo ar

Longe de pretender uma proximidade com Guimarães Rosa, o grande inventor de palavras, gosto também de brincar com elas. Daí o verbo gaivotar. O significado? Sei lá. Voar como gaivotas, pairar no ar, olhando do alto a realidade na terra, divagar, fantasiar, criar asas. Certo é que estou gaivotando, gaivotando... E o que vejo? Uma fumaça compacta que encobre sonhos, desvia amores, rouba vidas, prende inocentes, liberta criminosos, provoca lágrimas, sufoca risos, enriquece ricos, empobrece pobres... Mas vejo tudo de tão alto da minha vontade de estar no chão e agir... Mas vejo amor. Gente cujo coração bate junto, ferve o sangue, troca afeto, esquece o resto e é feliz. Mas o que há no ar? Preciso parar de voar, voltar, encarar o chão seco. Onde anda a chuva?

O ninho dos pássaros chinês

Achei que tivesse perdido este blog por ter estado tão ausente. Há um mês que quero escrever na mesma medida em que me nego fazê-lo.Estranho?Concordo, mas foi assim. Hoje, porém, tudo mudou. Escrever deve ser regulado pela Lua. Devia ser Lua Minguante ontem e , hoje, Lua Cheia. Devia, pois na verdade não consultei nem olhei para o céu. Mas as fases não duram só uma semana? E como a minha minguante de palavras durou um mês? Mistério.Mas a noite hoje está cheia de motivos. Motivos que vêm da China, com perspectivas de ouro para o Brasil, de prenúncios de paz na Georgia, de Luís Fernando Veríssimo estar escrevendo seu primeiro livro sem ser encomendado, de terem se esgotado os ingressos para o show de Caetano, João Gilberto e Roberto Carlos, mas nada que se compare à abertura das Olimpádas em Pequim.Como diz a revista Digital, do Globo, arrebentou. Efeitos especiais, ousadia de espantar gente ousada, tudo sob controle de sistemas "hi-tech", num local estrategicamente preparad...

Hoje é Dia dos Namorados

Bom seria se fosse Dia do Amor. Ou já é? Sim, o amor está entremeado no n amor o e em todas as suas variáveis: n amor ar, n amor ando, n amor ador,n amor ado... Mas acho que anda meio embaçado, quase invisível. Apesar da corrida às floriculturas, dos presentes, dos lindos cartões e dos encontros programados para hoje, falta algo no namoro . E é justamente o amor. Muitos o sentem, mas têm vergonha de expressá-lo; outros o expressam, mas não o sentem. E como está fugaz este sentimento!Lido com essa realidade no cotidiano contato com namorados. Por isso gostaria muito que fossem n amor ados, pois, sem amor, o relacionamento se fragiliza e os seres migram muito rápido.E veja que o amor já foi considerado um sentimento eterno. Depois, passou a ser eterno somente enquanto dura. E quanto tempo dura hoje o amor? Relacionamentos podem durar o tempo de um beijo ou um passageiro " ficar" numa noite , numa festa, num lugar , sem que sentimentos se envolvam. Pura curtição. Outros casos de...

Preciso voar

A janela estava aberta, eu olhava, mas não via. Sentada no sofá, acho que me acomodei na certeza de que tudo mudara.Não via o que se passava lá fora. Sob meus olhos cegos, despojados de maldade , o tempo voltava a um tempo anterior, distante, mas sempre de volta. Hoje ele veio e aqui se instalou. Sinto-me agora como uma rocha que se desgasta aos poucos , diante das fortes batidas da água. De repente ouvi cada rugido da onda violenta a anunciar uma tempestade sem igual. Poderia haver ainda alguma tempestade maior do que as que eu já enfrentara? Não, eu já vira todas. Pensei que poderia surgir um som novo, diferente, que quebrasse o gelo dos meus sentimentos, fruto de sonhos esmagados pela cruel realidade de outrora. Ledo engano. Nada mudou. A fúria com que cada onda se aproxima mexe com meus nervos, cega-me. Permaneço inerte. As asas parecem quebradas, murchas, coladas no meu pequeno corpo. A tempestade foi passando aos poucos. Não foi diferente das outras, mas provocou medo.Medo de não...

Porta aberta: entrei

Porta aberta, entrei. Escolhi o sofá menor, sou pequena. Agora, da janela, olho a paisagem e penso em voar. Gostaria de ir para longe. Não, para Pasárgada, não.Para lá foi Manuel Bandeira, desejoso de uma liberdade jamais desfrutada, de magia, de transformação, de poder.( "Lá sou amigo do rei") Quero ir mais longe, vencer o medo que nem sei de quê. Quero voar, mas estou presa ao sofá, este mesmo, que me aguardava quando entrei e nele sentei sem perceber seu estampado apagado pelo tempo e pelo pó, mas com um poder incrível de prender. Este sofá me quer gaivota que não voa, escreve. Que não sonha, reflete. Que não olha, vê.Por isso colocou-se frente à janela. Agora é ficar. Aceitei as regras e o jogo se inicia. Não sei se escreverei muito ou pouco. Se darei espaço à poesia ou não. Se haverei de me prender à dura realidade do mundo, ou se vagarei pelo universo da ficção. Se permanecerei sentada neste sofá ou se alçarei vôo.Sou gaivota, ora. Gaivotamada

Da arte de chegar

Poder chegar é um desafio. Saber chegar é uma arte. Quero poder, quero saber, quero espaço para voar, pois sou gaivota teimosa. Aqui vou imprimir um pouco do que penso, do que vejo, no que creio. Crer no que escrevo , porque será verdadeiro. Pode ser. Mas vou fingir ser verdade a verdade que escreverei. Como o verdadeiro poeta que sonha alcançar num vôo a morada da poesia. Por agora, só anuncio minha chegada. Com licença. Vou entrar.