Quem sabe?

Noite chuvosa
Jornal fechado, livro caído,
relembro tempos idos,
sofridos.

Quando...

Tu batias à porta,
eu batia a porta
e não abria.
Sofria.

O vento varava a janela,
entrava e não obedecia
a necessária noite de solidão.
Desafinado, ele  cantava
sem mesmo saber a canção.

Trazia na voz o recado
que de tão desgastado
já não causava emoção.

Ainda assim respondi.
Disse que não desistisse,
que voltasse num outro momento,
que quem sabe após tanto tormento,
eu  dormisse
e no sonho, a porta eu abrisse

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