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Mostrando postagens de 2018

Confissões de uma chave

Confissões de uma chave A verdade é que fora parar naquela casa  sem querer. Vivia bem e confortavelmente embalada dentro do manual de instruções, cheirando a novo, na agência  da Volkswagen, no centro da cidade. Não sabia ,porém, do que a aguardava. Da alegria com que seria  recebida naquela noite festiva.  Chegou no carro zero, um fusca branco, envolto numa fita vermelha, com um enorme laço, chamando atenção da rua inteira. Dava para sentir o cheirinho de carro novo e aquele era novinho em folha. Mas o que é ser novinho em folha? Só força de expressão, diria alguém querendo explicar o que também não sabia. A chave acompanhava o fusca, que sem ela não teria sentido de ser. Carro não anda sem chave...E esta também foi enfeitada com um laço de fita branco , prendendo um raminho de flores miúdas. Carro e chave chegaram pelas mãos do motorista da agência e pararam no portão, à hora combinada. A casa estava toda iluminada e de dentro ecoava  uma música ...

Gaivota reaprendendo a voar

Gaivota reaprendendo a voar         Há também o desaprender.             Diferente de esquecer, desaprender é fruto do desuso, da inércia, do cansaço, do não querer             também.Mas um não querer que dói porque é involuntário, fruto da falta de espaço na pauta            da lida, da vida que impõe outros quereres.            A vida é uma personagem de personalidade forte. Ora permite planos, ora os muda de cena ,             de tempo, substitui o texto, troca os atores... em fim, quando se vê, o romance é outro e o que             antes se sabia, precisa-se  reaprender para continuar a viver.            Difícil ser gaivota e não voar depois de tanto esforço na aprendizagem. Difícil ficar no campo, na  ...