ONDE DEUS ME PLANTOU
“ terra de flores... florestas verdejantes”
Mas falar de mim é simplesmente um pretexto.
Quero mesmo é falar da terra cordeiro, “agnus dei”, onde Deus me plantou.Cordeiro é solo fértil e semente nele lançada. É celeiro humano que abastece e se reabastece da arte dos filhos que a eternizam, sem sofrer da infertilidade cultural que pode levar uma terra a cair no esquecimento. Recordar o passado desta terra só é possível através da arte. Esta foi e é o instrumento usado por seus antepassados e pelos que hoje se fazem presente para que a história se forme dos elos que unem o tempo, deixados pelas mãos dos artistas expressivos em cada ramo da natureza artística.
Sendo mãe, Cordeiro é embalada com melodias que tantos de seus filhos compõem. Sendo uma encantadora paisagem natural, foi fotografada nos mínimos detalhes por lentes habilidosas. Rica em seres humanos que marcaram época e deixaram saudade, eis que estes podem ser revistos e recordados em retratos que os fixaram no tempo. Telas encantadoras existem, delineadas e coloridas por mãos habilidosas de cordeirenses que, com um olhar sensível e amoroso, nelas fixaram seu amor filial. Plena de personagens e histórias fantásticas, virou filme aqui gerado e produzido por cineastas cordeirenses que revelaram Cordeiro pelos “ brasis” à fora. Musa inspiradora, aplaude poetas e prosadores que gerou e ou adotou como filhos. Palco e cenário de um tempo pleno de ingenuidade e romantismo, inspira crônicas reminiscentes que afloram doces e doídas recordações. Sambas enredo brilham no Carnaval, letra e música de cordeirenses. A tradição musical que vem de sua raiz mantém viva uma banda centenária que resiste ao modismo e ao gosto diferente de agora. No esporte, estrelas se destacam no cenário nacional e mesmo internacional, pela arte que produzem. Palhaços, repentistas, versadores e foliões de reis, Cordeiro exibe com orgulho. Seus filhos naturais e adotivos têm demonstrado intensa alegria no reencontro provocado pelo milagre da mídia que os aproxima mesmo distantes , pelas lembranças geradas das fotografias com que se deparam. São retratos de pessoas e fatos que se entrelaçam.
Tudo isto fez-me lembrar um pequeno texto que compartilhei na minha página do facebook e que fala do bom que seria se pudéssemos exercer a arte de prender o tempo , costurando pertinho da gente as pessoas que amamos , os domingos inesquecíveis, o amor verdadeiro, o coração das pessoas e a terra em que vivemos , aonde Deus nos plantou. Sobre esta terra, aproveitar para fazer um lindo bordado.
Com mãos habilidosas, faríamos o risco do bordado em Cordeiro. Nele não faltariam flores, muito verde, rio de água pura , ruas tranquilas, casais de mãos dadas, crianças brincando, escolas cheias de respeito e sabedoria, famílias conversando na calçada, amigos de verdade ,um banquinho, um violão e uma canção, a banda passando e o povo de mãos dadas para aplaudir . Unidos , trabalharíamos para que este bordado jamais se desfizesse.
Então, valeria de fato o Estatuto de Homem, de Thiago de Melo, no seu Artigo III:
“Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança. “
Madalena Tavares 17/07/12/ 22:46h.
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