ONDE DEUS ME PLANTOU


“ terra de flores... florestas verdejantes”

Nascer e chegar à “matura-idade” num mesmo espaço geográfico, é sentir-se plantado nele. É sentir-se raiz que penetrou na terra e lá se espalhou, sustentando um caule incapaz de se deslocar porque se sente feliz ali, ora carregado de flores, ora completamente despido delas, mas ali, como se tivesse sido plantado pelas mãos de Deus.Sou este tronco hoje.
O solo que me abriga é Cordeiro, terra que recebeu a semente que fui e que permitiu que ela germinasse e desse frutos que sucederam as flores poucas e singelas, mas que eram e ainda são as que pude produzir como mulher de tempos outros, de vida difícil e que exigiu muito trabalho e perseverança.
Mas falar de mim é simplesmente um pretexto.
Quero mesmo é falar da terra cordeiro, “agnus dei”, onde Deus me plantou.Cordeiro é solo fértil e semente nele lançada. É celeiro humano que abastece e se reabastece da arte dos filhos que a eternizam, sem sofrer da infertilidade cultural que pode levar uma terra a cair no esquecimento. Recordar o passado desta terra só é possível através da arte. Esta foi e é o instrumento usado por seus antepassados e pelos que hoje se fazem presente para que a história se forme dos elos que unem o tempo, deixados pelas mãos dos artistas expressivos em cada ramo da natureza artística.
Sendo mãe, Cordeiro é embalada com melodias que tantos de seus filhos compõem. Sendo uma encantadora paisagem natural, foi fotografada nos mínimos detalhes por lentes habilidosas. Rica em seres humanos que marcaram época e deixaram saudade, eis que estes podem ser revistos e recordados em retratos que os fixaram no tempo. Telas encantadoras existem, delineadas e coloridas por mãos habilidosas de cordeirenses que, com um olhar sensível e amoroso, nelas fixaram seu amor filial. Plena de personagens e histórias fantásticas, virou filme aqui gerado e produzido por cineastas cordeirenses que revelaram Cordeiro pelos “ brasis” à fora. Musa inspiradora, aplaude poetas e prosadores que gerou e ou adotou como filhos. Palco e cenário de um tempo pleno de ingenuidade e romantismo, inspira crônicas reminiscentes que afloram doces e doídas recordações. Sambas enredo brilham no Carnaval, letra e música de cordeirenses. A tradição musical que vem de sua raiz mantém viva uma banda centenária que resiste ao modismo e ao gosto diferente de agora. No esporte, estrelas se destacam no cenário nacional e mesmo internacional, pela arte que produzem. Palhaços, repentistas, versadores e foliões de reis, Cordeiro exibe com orgulho. Seus filhos naturais e adotivos têm demonstrado intensa alegria no reencontro provocado pelo milagre da mídia que os aproxima mesmo distantes , pelas lembranças geradas das fotografias com que se deparam. São retratos de pessoas e fatos que se entrelaçam.
Tudo isto fez-me lembrar um pequeno texto que compartilhei na minha página do facebook e que fala do bom que seria se pudéssemos exercer a arte de prender o tempo , costurando pertinho da gente as pessoas que amamos , os domingos inesquecíveis, o amor verdadeiro, o coração das pessoas e a terra em que vivemos , aonde Deus nos plantou. Sobre esta terra, aproveitar para fazer um lindo bordado.
Com mãos habilidosas, faríamos o risco do bordado em Cordeiro. Nele não faltariam flores, muito verde, rio de água pura , ruas tranquilas, casais de mãos dadas, crianças brincando, escolas cheias de respeito e sabedoria, famílias conversando na calçada, amigos de verdade ,um banquinho, um violão e uma canção, a banda passando e o povo de mãos dadas para aplaudir . Unidos , trabalharíamos para que este bordado jamais se desfizesse.
Então, valeria de fato o Estatuto de Homem, de Thiago de Melo, no seu Artigo III:
“Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança. “

Madalena Tavares 17/07/12/ 22:46h.

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