Postagens

Mostrando postagens de 2009

Verde e amarelo

Imagem
Essas cores são inconfundíveis: são Brasil. No início da história, verde e amarelo tinham o mesmo peso e a mesma intensidade na Terra de Santa Cruz. Ou quase, pode ser que houvesse mais verde nas matas que ouro sob a terra. Desconheço a precisão deste cálculo. Então vieram os invasores. Logo descobriram o ouro. Bastou uma pequena pista dada pelos inocentes indígenas e o amarelo foi minguando, maior parte levada por navios rumo à Europa.Ia ficando o verde, se bem que bastante contrabandeado em se falando do pau-brasil, sangue brasileiro que causava cobiça aos estrangeiros. Quando foi criada a Bandeira Nacional, ainda pesava o ouro e florescia o verde sob um céu de anil e um desejo branco de paz. Joaquim Osório Duque Estrada, autor da letra do Hino Nacional , afirmou que " nossos bosques têm mais vida" . O hino , que só foi oficializado em 1º de setembro de 1971, correu risco de ter alterada a letra em função do extermínio do verde. Agora, é impossível, pois já são oficiais ban...

Há 40 anos...

Imagem
Há 40 anos, 20 de setembro caiu num sábado. Sábado ensolarado como costuma ser na Primavera. Devo ter acordado com os olhos meio inchados, pois na véspera chorei um pouco ao me despedir do meu travesseiro, da minha cama, de mim mesma, pois afinal ,esta que eu vivera até agora tinha sua última noite de solteira, para se transformar numa outra, desconhecida para mim.De repente foram chegando pessoas, a casa ficou cheia, telegramas, presentes, abraços, cartões, brincadeiras, parentes distantes, amigos do noivo que eu nem conhecia, a hora passando, o momento chegando ... chegou. O vestido, inteirinho de crochê, feito por D. Zezé Guzzo, fiou perfeito. O penteado, tão artificial, visto agora, permitiu o encaixe da grinalda toda em pérolas, que me caíal às mãos e desciam como um longo terço. Cuidado com o véu!, gritavam. Eram 7 metros de tule. Na horinha de sair, puseram-me às mãos uma linda e úmida orquídea. Na igrejinha antiga, o noivo já aguardava no altar. Ela nunca me parecera tão grande...

Deserto... eu tenho?

Imagem
Um bom crítico literário é capaz de nos convencer de imediato a ler um livro. Se não o temos em mãos, suas palavras ficam a nos atormentar numa busca atroz. Pois assim tem sido comigo desde que li um comentário no Prosa e Verso de O Globo , sábado último sobre o livro que vai ser lançado na Bienal do Rio, chamado " No teu deserto", do escritor português Miguel Sousa Tavares, autor de "Equador" e "Rio das Flores". Li o segundo e adorei. Mas o que vem me tentando é a apresentação do novo livro dele, por um escritor que desconheço, mas que o fez com uma propriedade, com uma autoridade de quem conhece a boa obra, com uma sabedoria demonstrada nas leituras citadas e comparações feitas que me encantou. Seu artigo trata de " desertos". Diz que todo escritor tem seu deserto. Que o de Fernando Pessoa está numas ladeiras em Portugal, que o de Machado de Assis é o Rio de Janeiro do seu tempo, que o de Clarice Lispector está na capacidade de dizer no indizív...

Angelo, para você, leia

Por que falar de Manuel Bandeira exaustivamente se Cordeiro, nós todos temos você, Angelo? Uma pessoa de um talento ímpar, com grande habilidade no campo das artes, leitor assíduo e escritor reconhecido no país, premiado em inúmeros concursos e ainda dono de um humor contagiante, perto de quem não se consegue deixar de rir, tamanha a capacidade de brincar e provocar riso até com um simples olhar. Recordo-me de suas investidas no meio cultural em Cordeiro. Escreveu e dirigiu algumas peças de teatro que fizeram sucesso, produziu um curta metragem de nome longo ( não me arrisco a tentar dizer o título) que venceu o " Revelando Brasis", é escritor, poeta, artista nato em múltiplas linguagens. Frente ao Departamento de Cultura de Cordeiro, deixou suas marcas no pouco tempo que lhe foi destinado. Marcou-me o inovador concurso de fotografias. Lindo! E ainda é um amigo e tanto. Imaginem leitores ( tenho uns dois +-) que ele lê o meu blog e cobra quando fico preguiçosa e não faço post...

Vamos para Pasárgada?

Imagem
Manuel Bandeira foi o grande homenageado da VII FLIP/09. Merecida homenagem ao pernambucano ( de Recife), poeta que foi muitos, sendo um só, com uma obra que transita no simbolismo, no modernismo, com nuances românticas e realistas, tanto nos versos quanto na prosa.Presente em sua obra, o cotidiano, o misticismo, a lembrança da infância, da terra natal, a tristeza com a doença, a dor da solidão, a sensualidade, a condenação à morte e a superação, tudo numa poesia muitas vezes prosaica, mas grandiosa.Em plena infância, aos 8 anos, descobre-se tuberculoso e começa a luta pela sobrevivência.Em 1913, foi para a Suíssa em busca da cura.Em 1914, retorna ao Brasil, em função do início da I Guerra Mundial e soube que era grave seu estado de tuberculoso. O médico não lhe deu esperanças de cura. Voltou, investiu na vida e só morreu em 1968, não como vítima da tuberculose. Mesmo assim, muitas vezes foi vítima da melancolia, das limitações impostas pela doença, da solidão e, então, criou " Pa...

O eu profundo e outros eus

Aparecida, Fernanda, Virgínia e eu chegamos em Trindade, distrito de Paraty, sexta-feira, 3 de julho, após horas de viagem pela Canoa da Serra, saindo de Cordeiro. Assustou-nos/me a pousada( estranha) e a marca 3M: mar, morro e mato, charme do lugar, não para pessoa tão urbana quanto eu.Mas sobrevivemos e até tomamos um suco no Bar da Larica ( Seria ali Amsterdam?). À tarde, finalmente, Paraty.Cultura em plenitude espalhada aos quatro cantos.Rodamos e chegamos à casa do prefeito, recebidas pela primeira dama, amiga de Virgínia, para apanhar nossos ingressos antecipados para as tendas escolhidas. Estávamos aflitas para assistirmos à 1ª mesa, "O eu profundo e outros eus", com a presença do mexicano Mario Ballantin e o brasileiro Cristóvao Tezza.Estes debateriam a questão da obra autobiográfica, a presença do eu do escritor na ficção, onde o comum é o eu lírico, o outro eu do autor . O brasileiro primava pela discrição e a elegância. Acabou meio " engolido" pela simp...

FLIP/2009: EU ESTIVE LÁ

Ir à FLIP é ter a certeza de poder voltar culturalmente renovado. É passar uns dias em estado de graça, rebatizado pela palavra de quem sabe laçá-la na escrita e soltá-la para que outros a alcancem na leitura e a "definitivem" na alma.Desconfio de que seja lá a tão sonhada Pasargada, de Manuel Bandeira. Ele, que foi o patrono da 7ªedição do evento, e que morreu sem ter visto a terra que idealizou.Mesmo sem estar fisicamente no local, ele era o amigo do rei, que enfeitou a cidade para mim e para "ty", com as personagens criadas pelo nosso poeta, entremeadas à sua história e aos locais onde a viveu. Manuel , Bandeira de nossa poesia, certamente juntou-se a Irene, a quem dedicou um lindo poema e, da mesma forma como descreveu a acolhida de sua negra querida no céu, deve ter sido recebido: " Entra, Manuel, aqui você não precisa pedir licença". De lá, ele enviou uma imensa nuvem de poesia que pairava sobre Paraty, cidade poética por tradição e proteção dos d...

Gerâneos em flor na janela

Imagem
Em criança ouvia uma música que dizia: " Felicidade é uma casinha simplezinha /com gerâneos em flor na janela/ Uma rede de malha branquinha/ E nós dois a sonhar dentro dela." Essa definição tão singela quanto irreal, hoje posso ver, acompanhou-me por muito tempo.Ser feliz então era ter uma casa com a jardineira repleta de gerâneos em flor.E eu sonhava, imaginava, desenhava essa casa e me sentia dentro dela. Faltava sempre a rede branquinha e o " nós dois" , mas o sonho se mantinha. Sonho e tempo acabam passando. Muitas vezes o tempo carrega consigo o sonho e o deixa livre para se transformar em realidade na vida do sonhador. Nem sempre o sonho se realiza inteiro. Muda a cor da rede, o tamanho da casa e deixa apenas um sonhador dentro dela. Aos outros entrega a secura da vida prática, sem nenhuma nuance de romantismo. Bom que tenha conservado os gerâneos em flor da minha janela.

Entre o ontem e o hoje

É deveras deliciosa essa viagem no tempo que tenho feito ultimamente. O motivo é um só: recompor a história de Cordeiro. E o itinerário é a ida a um passado bem longínquo , final do século 19, e aterrissar num povoado recém surgido, tão pequeno e tão simples , mas de pessoas empreendedoras e sonhadoras, a quem muito Cordeiro deve. Depois, voltar num raio de tempo ao hoje e a esta cidade , produto de bons anos de história e comparar um e outro tempo, numa mistura de saudosismo e observação do real. Saudade até dum tempo que não vivi, dos sentimentos que não senti, das construções de que minhas mãos não participaram.Salvar o passado é como buscar a salvação para si mesmo. Por isso, insisto.E o curioso é que as pontas do tempo, minhas estações de partida e chegada guardam entre si 80 anos de distância. Pesquiso na "Gazeta de Cordeiro", exemplares de 1897 e 98, por enquanto, e registro na Gazeta de Cordeiro contemporânea, jornal que se empenha em não perder a vida útil. A Gazeta ...

Escrever é preciso. Navegar...

Escrever é preciso, mas requer tempo, dedicação, persistência e preguiça.Escrever não combina com o cansaço físico no final do dia, corpo espiando a cama com um olhar lânguido, desejoso, apaixonado.Cansado, o físico contamina o cérebro, míngua a linguagem, destrói a poesia e neutraliza a imaginação. Depois dizem que todo escritor é malandro, afirmativa de que discordo, pois todos que conheço pesam profissões outras no currículo. Eu também tenho.Falo é do trabalho que cansa o corpo, como o que estive experimentando nos últimos meses: Arrumar, cozinhar, lavar e passar. Foi ótimo(?) enquanto durou. Até a ficha cair e eu sentir que há muito não pensava nem escrevia, labutava. Pior, sem nenhum afago por isso. Voltei ao ócio. Num instante reabri o blog e estou tentando reaprender a escrita.Substituiu-me Matusa ,excelente cozinheira, logo elogiada por todos na casa, que respiraram aliviados com a minha passagem de volta do fogão. Abandonei-o sim.Tentaram disfarçar, mas estão felizes. Sobreviv...

Da realidade etc e tal

Assinar jornal era a certeza de sentir prazer de ler, de somar conhecimento, de adquirir cultura geral, entretenimento... Era, pretérito. Passado, portanto. Agora, traz tristeza, preocupação,vergonha e a certeza de que a realidade em que vivemos é global. Mas meu mundo é o Brasil e é dele que surge meu texto entrecortado de desesperança. Escândalo no Legislativo, no Judiciário e no Executivo. Poderes, à exceção do Judiciário, compostos por homens eleitos pelo voto do povo e que desse povo usurpa o direito de ter uma vida econômica digna, para o próprio deleite e de seus familiares e amigos, ao usufruir de passagens aéreas , abuso de cartões de crédito, falcatruas com o dinheiro público, acúmulo de fortuna com rendas ilícitas.A imprensa descobre, denuncia, prova. Mudança? Não acontece. A eles, tudo, ao povo, nada.Educação e Saúde, sustentáculo do progresso de qualquer país que o pretenda, no Brasil é discurso de político em palanque eleitoral ( ou eleitoreiro?) que logo cai no esquecime...

Entre...ter

Entre...ter Entretive-me: estive entre o amor e a ilusão. Consegui, por um tempo, entreter seu jeito inconstante de ser. Desisti. Entre ter e ser, decidi não ter : apenas ser. Preferi sofrer a ter-me entre você e a idéia de me enganar e novamente não ser. Só entreter. 23/09/02 Este poema foi feito , na verdade, para ajudar meus alunos na aprendizagem do verbo entreter, sempre tão mal conjugado. Entretive, entretenho,entreterei, quando entretiver, se entretivesse. Na verdade, não quero ser objeto de mero entretenimento para ninguém.

Reflexões outonais

De repente...folhas secas e farfalhantes resolvem ocupar espaço sob as copas que antes ajudaram a formar.Injustiça da natureza?Não, apenas um novo ciclo que se inicia. Interessante o voo da queda das folhas, vindas do alto dos galhos, rodopiando, leves que são, muitas vezes fugindo da trilha,distanciando-se rumo a outras paragens.Qual seria o destino das velhas folhas, empurradas do leito de onde ofereceram sombra por todo o Verão? Certo buscam a raiz , querem morrer aos pés da mãe, fertilizar o solo que a alimenta. Isto quando não vem o vento ou o varredor e carrega tudo pra lá...Roda vida...Roda o tempo. É Outono de novo, mas um novo Outono. Que frutos trará?É preciso permitir-se sentir o ar adocicado para outonar à espera do inverno. Um desejo intenso paira no ar. É o cio da alma e do corpo. Esperança do amor que não chega, correndo risco de acabar como o Verão, derrotado pelo tempo em sua marcha inexorável. As árvores estão desnudas, saudosas das folhas, pelos de seus galhos ag...
Tem chovido muito aqui. Choveu por um janeiro inteiro. Chuva ora forte, ora miúda, ora contínua, ora entre espaços de tempo, mas serena, lacrimosa por acontecimentos tão trágicos por esse mundo à fora. Seria a chuva um sinal do ressentimento de Deus?Talvez da sua ira? Então conosco, em Cordeiro, ele tem demonstrado apenas tristeza. Mas há pessoas importunadas com essa tristeza. Reclamam da falta do Sol ardente, da praia para onde foram e não desfrutaram, da piscina que não dá para ir, do "nada" para fazer , estando de férias.Mas se leem jornais ou os assistem na TV, deveriam estar de sorriso aberto. E ter esperança. " Mas é claro que o Sol/ vai voltar amanhã". E há de chegar manso, para secar as lágrimas das perdas que a chuva causou em tantos lugares e a tanta gente. Sol e Chuva, Dia e Noite, Alegria e Tristeza se alternam para nos assegurar que viver é conviver com essa certeza, é sobreviver à transição do tempo e dos sentimentos, mantendo a alegria e a esperança....

De volta à realidade- que realidade!!!!!!!!

Desde 25 de novembro que não edito nenhuma postagem. Durante este tempo, meu Deus, minha vida fervilhou. Primeiro, o tempo dedicado aos exames para a retirada da visícula em dezembro, aos serviços para deixar a Secretaria de Educação e Cultura em dia para a posse do novo governo, à arrumação da LIC para as vendas de Natal, à arrumação da casa para a chegada do próprio Natal. O que pude fazer até 10 de dezembro, bem; depois, o apagão. Dia 11 de dezembro ocorreu a cirurgia., prenúncio de um "quase" ponto final na vida. Esta foi seguida de uma subida de pressão, disparo cardíaco e edema pulmonar agudo. Fiquei no CTI dois dias. De volta à realidade, exames, consultas, consultas, exames, privações, cuidados até então desnecessários.Mudança radical de hábitos de vida. Sinto-me limitada e até um pouco depressiva. E , somando-se a tudo isso, minha empregada-amiga , de 12 anos, vai embora para Friburgo. Que dor no peito! Mas é a mais pura realidade. De ver a minissérie "Maísa...