Postagens

Mostrando postagens de agosto 19, 2012
Imagem
DAS QUARESMEIRAS Nas suas flores roxo tão claro”, guardam “Um tom de saudade lilás” Foi sem nenhum propósito que as revi. Também foi num simples levantar de olhos de dentro do carro que me deparei com elas. Poucas e silenciosas, mas imponentes, destacavam-se meio à mata já um tanto rala , mas resistente ao tempo e à ação destrutiva do homem: a Mata do Posto. Ah, então continuam a marcar época aquelas árvores que pontuaram a minha fantasia de menina atenta às coisas e fatos ao seu redor, pensei . Naquele tempo, da janela pequena da modesta casa em que morava , conseguia flagrar as primeiras florinhas roxas que despontavam no morro em frente, ainda cheio de árvores. Eram as quaresmeiras. Denunciavam que, após as alegrias do Carnaval, começava um novo tempo. Alertavam o povo, com seu manto roxo, da necessidade de meditar sobre o sofrimento de Cristo e as dores de Maria, sua mãe. Alegro-me por rever e ainda poder sentir o efeito das quaresmeiras redondas e roxas da minha ...
Imagem
ENTREOLHAR(ES DEVANEIO & BORBOLETAS Tenho olhado e entreolhado os jardins e não vejo borboletas. Eram tantas e tão íntimas até há bem pouco tempo e migraram não sei ainda o motivo. Tão belas quanto frágeis, para onde teriam ido? Vai ver se revoltaram, removeram a pedra que Drummond deixou no meio do caminho e se libertaram. Mas por que fizeram isso se voavam livres nos roseirais, se podiam beijar tanto as orquídeas quanto as flores de canteiros menos nobres? Podem ter se revoltado também com a própria origem. Li que elas nascem lagartas (nada contra estas, mas...), rastejam pelo chão e é desta perspectiva triste que entram em contato com o mundo. Depois, tornam-se crisálidas e ficam presas num casulo, alheias ao mundo, sofrendo transformações físicas que as possibilitem sair no momento certo e voar. Mas o voo não se dá de imediato. As asas , no início, são enrugadas e dificultam o passo para a liberdade. Quando conseguem de fato voar, passam a ver do alto o c...