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Gaivota reaprendendo a voar

Gaivota reaprendendo a voar         Há também o desaprender.             Diferente de esquecer, desaprender é fruto do desuso, da inércia, do cansaço, do não querer             também.Mas um não querer que dói porque é involuntário, fruto da falta de espaço na pauta            da lida, da vida que impõe outros quereres.            A vida é uma personagem de personalidade forte. Ora permite planos, ora os muda de cena ,             de tempo, substitui o texto, troca os atores... em fim, quando se vê, o romance é outro e o que             antes se sabia, precisa-se  reaprender para continuar a viver.            Difícil ser gaivota e não voar depois de tanto esforço na aprendizagem. Difícil ficar no campo, na  ...
                                                          MUNDO  EMBOLADO EM NÓS              O Google registra embolado como  cheio de nós e sinaliza outros significados.              Fico com esse. Atende a tortura de viver um momento em que a semântica muda,               mas não mudamos nós.                    Estamos cheios de nós?                         O mundo está cheio de nós?                    Nós estamos cheios do mundo?          Os nós embolam e desembolam o  mundo e nós, totalmente  assustados, mas...

NOVO ANO, VELHO TEMPO NO RELÓGIO DA VIDA

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Feliz Ano Novo!!!! NOVO ANO, VELHO TEMPO NO RELÓGIO DA VIDA E tudo se repetindo. Onde vai passar a virada do ano? A mesma pergunta ouvida tantas vezes. Que importa o lugar? O mundo vira e revira em qualquer parte onde se esteja . Com quem assistirá a virada? Com..., por precaução, não digo o nome. E se não for com... Sem importância , afirmo para mim mesma. Todos os dias vejo o mundo revirar e nada mudar. Então, resolvi fazer diferente. Sem grandes preparativos, sem três uvas, pedidos, três pulinhos para trás, sem pensar nessa ou naquela cor da roupa íntima ou da nem tanto.  Nem o champanhe abriu na hora certa. Antecipou-se à contagem regressiva do " show da virada", que a TV exibia.A sopa de lentilha não quis esperar o relógio avançar  a meia noite. Pulou para os pratos gulosos. Abraços não faltaram; também, há tanto que não aconteciam. E corri  para ver os minguados fogos que pipocavam no ar, fazendo piruetas  rosáceas, soltando estrelinhas cad...

SEM IDEIAS, MAS COM LIVROS & CIA

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                                                  SEM IDEIAS, MAS COM LIVROS & CIA     Há tanto tempo não voltava a esse espaço que cheguei a pensar que nos havia perdido um do outro para sempre. Gaivotas são assim ? Imagino. Voam,voam, perdem-se ao longe e quando se percebem sozinhas, estão acompanhadas no aconchego do ninho primeiro. Então foi isso. Estive voando, enfrentando tantos e novos desafios  que julguei , em muitos momentos, não ser capaz de transpô-los. Mas eis que já estou bem adiante deles.Também pensei em perder o encanto com os livros face o desencanto de tantos outros, mas cada vez mais tenho - os presos ao meu redor.São excelente companhia.Para mim, para você, leitor, mas bem diferente para tantos outros. Fechar uma livraria criada com tanta esperança e entusiasmo não foi fácil. Exigiu coragem e despojamento de todo...

FILHOS DILETOS SOMOS DE CORDEIRO

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ENTREOLHARES “ FILHOS DILETOS SOMOS DE CORDEIRO”   Interessante perceber como os laços criados   ao longo da vida, seja no espaço onde nascemos ou apenas vivemos , independente da duração desse tempo, são laços fortes que prendem na memória e no coração as pessoas com quem   convivemos, as   paisagens divididas, os acontecimentos compartilhados, bastando um pequeno estímulo para que   tudo se renove e seja revisto como um ontem muito próximo e feliz. A intensidade do feliz muitas vezes só é percebido bem   mais tarde, quando a vida nos permite entreolhar o passado e nos reposicionar nele, após as experiências percorridas na busca da sobrevivência, do sucesso, do amor...Mas como é importante esse movimento dos olhos de volta ao já visto, já vivido, já perdido ou não, mas nunca esquecido. Esse caminho de volta , que não nos impede de seguir em frente, tornou-se mais fácil   com   a internet,   o meio quase milagroso de encurt...

Bolinha de Sabão

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BOLINHA DE SABÃO                                ... dublec dublim...      Do sobrado em frente, ouço o riso da menininha no colo da avó, entretida com as bolinhas que voam pelo ar, assumindo um amontoado de cores, parecendo um arco-íris redondo, multiplicado pelo sopro que as empurram pelo ar. Ela que chegara ali chorando, aborrecida com sabe-se lá o quê, agora esquecia as lágrimas que ainda escorriam pelo rosto miúdo e soltava risadas, batendo palmas para cada nova bolinha que via surgir. Surpreendo-me. Então ainda brincam com bolinhas de sabão? Estou diante de um fato modernamente estranho, meio a tantas formas eletrônicas de conter o choro das crianças, se é que crianças ainda têm tempo de chorar. Há muito não ouvia o som de uma gargalhada dobrada , estampada no rosto de uma menina ainda pequen...

Jequitibá Rosa

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                                     JEQUITIBÁ   ROSA         - do Posto de Monta – A última edição desta Folha trouxe   uma   reportagem sobre a maior árvore da Mata Atlântica, o jequitibá , “árvore gigante” na língua tupi-guarani. Além das informações e curiosidades sobre   a espécie, o texto alerta sobre o risco de extinção que essa exuberante árvore   corre, certamente vítima da exploração abusiva de madeireiros que visam apenas ao enriquecimento através do comércio ilícito. A reportagem mexeu   com meus sentimentos e instigou minha memória , fazendo-me retomar a infância menina, vivida à beira da Mata do Posto. Tempos idos, mas bem vividos, desfrutando do ar verde e puro, do cheiro úmido e adocicado que emanava da riqueza das espécies ...