FILHOS DILETOS SOMOS DE CORDEIRO
ENTREOLHARES
“
FILHOS DILETOS SOMOS DE CORDEIRO”
Interessante perceber como os laços
criados ao longo da vida, seja no espaço
onde nascemos ou apenas vivemos , independente da duração desse tempo, são
laços fortes que prendem na memória e no coração as pessoas com quem convivemos, as paisagens divididas, os acontecimentos
compartilhados, bastando um pequeno estímulo para que tudo se renove e seja revisto como um ontem
muito próximo e feliz.
A intensidade do feliz muitas vezes só é
percebido bem mais tarde, quando a vida
nos permite entreolhar o passado e nos reposicionar nele, após as experiências
percorridas na busca da sobrevivência, do sucesso, do amor...Mas como é
importante esse movimento dos olhos de volta ao já visto, já vivido, já perdido
ou não, mas nunca esquecido.
Esse caminho de volta , que não nos impede de
seguir em frente, tornou-se mais fácil
com a internet, o meio quase milagroso de encurtar distâncias,
levando-nos numa viagem invisível ao
encontro do desconhecido, ou apenas adormecido na memória.
Eu, que adoro juntar lembranças para recompor
a história, que acredito que não se pode conhecer e entender o presente sem
conhecer o passado, sinto um prazer imenso em ver o tempo se agregando,
perdendo o limite de princípio e fim, seja pela fotografia, pelos documentos,
pelos arquivos de jornal, de revistas, pela fala dos mais antigos e agora pela
internet.
Nesse sentido, em 2006, criamos no Centro
Cultural Ione de Carvalho Pecly, o acervo fotográfico e documental que
conseguimos resgatar sobre Cordeiro, incluindo a Galeria de Fotos “ João Beliene Salgado”, relato dos principais
fatos que marcaram nossa história. À época, observava como as pessoas se
sentiam bem, recordando momentos vividos ou outros que curiosamente se
inteiravam da existência.
Hoje tenho informações suficientes para
escrever um livro sobre os primeiros tempos de Cordeiro, podendo esclarecer
equívocos criados por falta de uma pesquisa consciente. Essas informações me
permitiram o encantamento por homens que tiveram passagem histórica nesta
cidade, que a amaram e muito por ela se doaram, sem sequer terem nascido aqui,
mas caíram no anonimato. Por essa falta
de consciência da importância histórica,
muito se perdeu de patrimônio físico, hoje só restando lamentações.
Há pouco tempo, deparo-me no facebook, com
o grupo EU SOU CORDEIRENSE. Nem hesitei,
claro, e me integrei. O criador, Tadeu Santinho, que sempre colaborou para a
memória de Cordeiro, inclusive quando da minha passagem pelo Departamento de
Cultura, nem imaginava, acredito, na repercussão desse trabalho. Surgiram
pessoas, fotos, lembranças, sentimentos, emoções de todos os cantos onde um
cordeirense se faz presente. E tomem histórias, relatos, informações, saudades.
E já havia gente correndo para poder acessar a página dos cordeirenses
legítimos ou nascidos do coração. O
grupo ultrapassou o período de eleições municipais e se manteve acima das
escolhas pessoais, sob o pulso forte do “matuto” Santinho.
Daí para a I FESTA DO REENCONTRO
foi o tempo de contaminar, divulgar e organizar. O resto ficou por conta dos
abraços regados a muita música, alegria, satisfação estampada nos olhos dos
participantes, mostrando que o elo que prende pelo respeito, pela consideração,
pelo afeto destituído de interesse, pela ausência de qualquer tipo de
preconceito, torna-se de fato forte.
Preocupado com o futuro do nosso patrimônio,
Tadeu Santinho me mandou o modelo de um estatuto
de um instituto para preservação do patrimônio histórico e cultural de Cordeiro,
para análise. No dia do Reencontro, nomeou-me presidente do já denominado INSTITUTO JOÃO BELIENE SALGADO. Uma
honra, Tadeu, embora o cargo devesse ser seu.
Desejo que o mesmo sentimento de amor à terra
que uniu tantas pessoas que assumiram “SER CORDEIRENSES” as leve a apoiar e colaborar com as ações desse importante instrumento em
prol da nossa terra, essa:“ Terra de flores/ flores tão mimosas” - POIS: “Estaremos na vanguarda
aqui na serra/Sempre ativos, cordeirenses/A lutar, a elevar a nossa terra.”

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