NOVO ANO, VELHO TEMPO NO RELÓGIO DA VIDA

Feliz Ano Novo!!!!


NOVO ANO, VELHO TEMPO NO RELÓGIO DA VIDA


E tudo se repetindo. Onde vai passar a virada do ano? A mesma pergunta ouvida tantas vezes. Que importa o lugar? O mundo vira e revira em qualquer parte onde se esteja . Com quem assistirá a virada? Com..., por precaução, não digo o nome. E se não for com... Sem importância , afirmo para mim mesma.
Todos os dias vejo o mundo revirar e nada mudar. Então, resolvi fazer diferente. Sem grandes preparativos, sem três uvas, pedidos, três pulinhos para trás, sem pensar nessa ou naquela cor da roupa íntima ou da nem tanto. 
Nem o champanhe abriu na hora certa. Antecipou-se à contagem regressiva do " show da virada", que a TV exibia.A sopa de lentilha não quis esperar o relógio avançar  a meia noite. Pulou para os pratos gulosos. Abraços não faltaram; também, há tanto que não aconteciam.
E corri  para ver os minguados fogos que pipocavam no ar, fazendo piruetas  rosáceas, soltando estrelinhas cadentes que logo desapareciam. Não fiz pedidos nem promessas. E num segundo, 2015 entrava no calendário. Dormi ao interior pedido do corpo cansado, quando a madrugada surgia sem nenhum alarido.
Não sonhei. Dormi e  acordei para ver o ano novo e já não o encontrei.
Estava tudo exatamente igual.
O relógio na cabeceira da cama exibia as horas e minutos do novo dia, uma quinta-feira  igual à passada,  seguindo hoje o ritual de ontem. O sol já estava alto, retomando a trajetória de sempre.A louça para lavar, o café a ser passado,   como o exigiam  a cada manhã.O almoço, a sobremesa, os assuntos, tudo  repetido do ano anterior e saboreados como novos. O jornal chegou minguado, apenas para não ferir o compromisso da entrega, anunciando a posse da nova presidenta, na verdade a  mesma de ontem. 
O ano virara no calendário e já era proibido trocá-lo até mesmo nas folhas do cheque. Quando olhei, alguém já pendurara na parede uma folhinha , mostrando os dias do ano de 2015, mês a mês, como faz todos os anos. 
Feliz ano novo!
Ouço alguém gritando para outro alguém, na rua, em frente ao meu portão.
Ano novo?-  me pergunto.
É, o ano ficou novo sem ter sido velho , embora o relógio da vida marque ainda o velho tempo da rotina de cada dia.
Sem maiores expectativas, abraço o tempo  e com ele sigo sem olhar se é o novo ou o velho.
Sigo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog