MUNDO EMBOLADO EM NÓS
O Google registra embolado como cheio de nós e sinaliza outros significados.
Fico com esse. Atende a tortura de viver um momento em que a semântica muda,
mas não mudamos nós.
Estamos cheios de nós?
O mundo está cheio de nós?
Nós estamos cheios do mundo?
Os nós embolam e desembolam o mundo e nós, totalmente assustados, mas apáticos, nos deixamos levar por seus emaranhados.
Os acontecimentos parecem viver numa estação à espera de um trem de ida e volta que causam reviravolta e deixam as pessoas estáticas. Essas pessoas somos nós, as que observam à margem da linha os apertos de mãos dos que partem e acenam com um adeus e certeza de que não volta e, sem que se anunciem, um dia desembarcam e retomam assento entre nós, com todos os nós que trazem na bagagem.
A exemplo disso, a História dividiu um país em dois , cada um com seus nós. Logo o denominaram Muro da Vergonha, que separava a Alemanha oriental da ocidental. Era intransponível. ,
O Muro de Berlim, nome real, era um nó que impedia a circulação ideológica, a liberdade de expressão e a comunicação entre pessoas da mesma nacionalidade.
Nós aplaudimos a queda desse muro que reuniu os alemães e reintegrou a nação.
O mundo parecia desembolar-se, evoluir e permitir que o espírito da paz e da igualdade desfizessem os nós , os entraves do direito de ser e de viver do homem no espaço que lhe foi dado sem escritura de posse.
Outro muro dessa natureza não haveria de existir, pois que bastam os muros da vaidade, do poder, da ambição e exploração que separam os homens.
A queda do Muro de Berlim seria o fim da exclusão humana.
Ledo engano.
Justo do país que exibe a "Estátua da Liberdade", que se diz compromissado com a paz mundial e o direito de ir e vir, surge a ideia de um novo muro, desta vez para isolar-se dos também americanos do norte que mais se assemelham aos americanos do sul. Separar pobres de ricos e criar novos nós.
E nós?
Nós assistimos assustados ao desfecho dessa intenção que pode embolar ainda mais o mundo tão cheio de nós.
Ou nós cheios de mundo?
Madalena Tavares
27/01/ 17
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