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Verde e amarelo

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Essas cores são inconfundíveis: são Brasil. No início da história, verde e amarelo tinham o mesmo peso e a mesma intensidade na Terra de Santa Cruz. Ou quase, pode ser que houvesse mais verde nas matas que ouro sob a terra. Desconheço a precisão deste cálculo. Então vieram os invasores. Logo descobriram o ouro. Bastou uma pequena pista dada pelos inocentes indígenas e o amarelo foi minguando, maior parte levada por navios rumo à Europa.Ia ficando o verde, se bem que bastante contrabandeado em se falando do pau-brasil, sangue brasileiro que causava cobiça aos estrangeiros. Quando foi criada a Bandeira Nacional, ainda pesava o ouro e florescia o verde sob um céu de anil e um desejo branco de paz. Joaquim Osório Duque Estrada, autor da letra do Hino Nacional , afirmou que " nossos bosques têm mais vida" . O hino , que só foi oficializado em 1º de setembro de 1971, correu risco de ter alterada a letra em função do extermínio do verde. Agora, é impossível, pois já são oficiais ban...

Há 40 anos...

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Há 40 anos, 20 de setembro caiu num sábado. Sábado ensolarado como costuma ser na Primavera. Devo ter acordado com os olhos meio inchados, pois na véspera chorei um pouco ao me despedir do meu travesseiro, da minha cama, de mim mesma, pois afinal ,esta que eu vivera até agora tinha sua última noite de solteira, para se transformar numa outra, desconhecida para mim.De repente foram chegando pessoas, a casa ficou cheia, telegramas, presentes, abraços, cartões, brincadeiras, parentes distantes, amigos do noivo que eu nem conhecia, a hora passando, o momento chegando ... chegou. O vestido, inteirinho de crochê, feito por D. Zezé Guzzo, fiou perfeito. O penteado, tão artificial, visto agora, permitiu o encaixe da grinalda toda em pérolas, que me caíal às mãos e desciam como um longo terço. Cuidado com o véu!, gritavam. Eram 7 metros de tule. Na horinha de sair, puseram-me às mãos uma linda e úmida orquídea. Na igrejinha antiga, o noivo já aguardava no altar. Ela nunca me parecera tão grande...

Deserto... eu tenho?

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Um bom crítico literário é capaz de nos convencer de imediato a ler um livro. Se não o temos em mãos, suas palavras ficam a nos atormentar numa busca atroz. Pois assim tem sido comigo desde que li um comentário no Prosa e Verso de O Globo , sábado último sobre o livro que vai ser lançado na Bienal do Rio, chamado " No teu deserto", do escritor português Miguel Sousa Tavares, autor de "Equador" e "Rio das Flores". Li o segundo e adorei. Mas o que vem me tentando é a apresentação do novo livro dele, por um escritor que desconheço, mas que o fez com uma propriedade, com uma autoridade de quem conhece a boa obra, com uma sabedoria demonstrada nas leituras citadas e comparações feitas que me encantou. Seu artigo trata de " desertos". Diz que todo escritor tem seu deserto. Que o de Fernando Pessoa está numas ladeiras em Portugal, que o de Machado de Assis é o Rio de Janeiro do seu tempo, que o de Clarice Lispector está na capacidade de dizer no indizív...

Angelo, para você, leia

Por que falar de Manuel Bandeira exaustivamente se Cordeiro, nós todos temos você, Angelo? Uma pessoa de um talento ímpar, com grande habilidade no campo das artes, leitor assíduo e escritor reconhecido no país, premiado em inúmeros concursos e ainda dono de um humor contagiante, perto de quem não se consegue deixar de rir, tamanha a capacidade de brincar e provocar riso até com um simples olhar. Recordo-me de suas investidas no meio cultural em Cordeiro. Escreveu e dirigiu algumas peças de teatro que fizeram sucesso, produziu um curta metragem de nome longo ( não me arrisco a tentar dizer o título) que venceu o " Revelando Brasis", é escritor, poeta, artista nato em múltiplas linguagens. Frente ao Departamento de Cultura de Cordeiro, deixou suas marcas no pouco tempo que lhe foi destinado. Marcou-me o inovador concurso de fotografias. Lindo! E ainda é um amigo e tanto. Imaginem leitores ( tenho uns dois +-) que ele lê o meu blog e cobra quando fico preguiçosa e não faço post...

Vamos para Pasárgada?

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Manuel Bandeira foi o grande homenageado da VII FLIP/09. Merecida homenagem ao pernambucano ( de Recife), poeta que foi muitos, sendo um só, com uma obra que transita no simbolismo, no modernismo, com nuances românticas e realistas, tanto nos versos quanto na prosa.Presente em sua obra, o cotidiano, o misticismo, a lembrança da infância, da terra natal, a tristeza com a doença, a dor da solidão, a sensualidade, a condenação à morte e a superação, tudo numa poesia muitas vezes prosaica, mas grandiosa.Em plena infância, aos 8 anos, descobre-se tuberculoso e começa a luta pela sobrevivência.Em 1913, foi para a Suíssa em busca da cura.Em 1914, retorna ao Brasil, em função do início da I Guerra Mundial e soube que era grave seu estado de tuberculoso. O médico não lhe deu esperanças de cura. Voltou, investiu na vida e só morreu em 1968, não como vítima da tuberculose. Mesmo assim, muitas vezes foi vítima da melancolia, das limitações impostas pela doença, da solidão e, então, criou " Pa...

O eu profundo e outros eus

Aparecida, Fernanda, Virgínia e eu chegamos em Trindade, distrito de Paraty, sexta-feira, 3 de julho, após horas de viagem pela Canoa da Serra, saindo de Cordeiro. Assustou-nos/me a pousada( estranha) e a marca 3M: mar, morro e mato, charme do lugar, não para pessoa tão urbana quanto eu.Mas sobrevivemos e até tomamos um suco no Bar da Larica ( Seria ali Amsterdam?). À tarde, finalmente, Paraty.Cultura em plenitude espalhada aos quatro cantos.Rodamos e chegamos à casa do prefeito, recebidas pela primeira dama, amiga de Virgínia, para apanhar nossos ingressos antecipados para as tendas escolhidas. Estávamos aflitas para assistirmos à 1ª mesa, "O eu profundo e outros eus", com a presença do mexicano Mario Ballantin e o brasileiro Cristóvao Tezza.Estes debateriam a questão da obra autobiográfica, a presença do eu do escritor na ficção, onde o comum é o eu lírico, o outro eu do autor . O brasileiro primava pela discrição e a elegância. Acabou meio " engolido" pela simp...

FLIP/2009: EU ESTIVE LÁ

Ir à FLIP é ter a certeza de poder voltar culturalmente renovado. É passar uns dias em estado de graça, rebatizado pela palavra de quem sabe laçá-la na escrita e soltá-la para que outros a alcancem na leitura e a "definitivem" na alma.Desconfio de que seja lá a tão sonhada Pasargada, de Manuel Bandeira. Ele, que foi o patrono da 7ªedição do evento, e que morreu sem ter visto a terra que idealizou.Mesmo sem estar fisicamente no local, ele era o amigo do rei, que enfeitou a cidade para mim e para "ty", com as personagens criadas pelo nosso poeta, entremeadas à sua história e aos locais onde a viveu. Manuel , Bandeira de nossa poesia, certamente juntou-se a Irene, a quem dedicou um lindo poema e, da mesma forma como descreveu a acolhida de sua negra querida no céu, deve ter sido recebido: " Entra, Manuel, aqui você não precisa pedir licença". De lá, ele enviou uma imensa nuvem de poesia que pairava sobre Paraty, cidade poética por tradição e proteção dos d...