Reflexões outonais

De repente...folhas secas e farfalhantes resolvem ocupar espaço sob as copas que antes ajudaram a formar.Injustiça da natureza?Não, apenas um novo ciclo que se inicia. Interessante o voo da queda das folhas, vindas do alto dos galhos, rodopiando, leves que são, muitas vezes fugindo da trilha,distanciando-se rumo a outras paragens.Qual seria o destino das velhas folhas, empurradas do leito de onde ofereceram sombra por todo o Verão? Certo buscam a raiz , querem morrer aos pés da mãe, fertilizar o solo que a alimenta. Isto quando não vem o vento ou o varredor e carrega tudo pra lá...Roda vida...Roda o tempo. É Outono de novo, mas um novo Outono. Que frutos trará?É preciso permitir-se sentir o ar adocicado para outonar à espera do inverno. Um desejo intenso paira no ar. É o cio da alma e do corpo. Esperança do amor que não chega, correndo risco de acabar como o Verão, derrotado pelo tempo em sua marcha inexorável. As árvores estão desnudas, saudosas das folhas, pelos de seus galhos agora tão expostos.Que venham logo os frutos, a colheita, a chegada de novo sabor para a insípida vida que se prepara para a chegada do Inverno. Haverá Inverno?

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