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Vamos para Pasárgada?

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Manuel Bandeira foi o grande homenageado da VII FLIP/09. Merecida homenagem ao pernambucano ( de Recife), poeta que foi muitos, sendo um só, com uma obra que transita no simbolismo, no modernismo, com nuances românticas e realistas, tanto nos versos quanto na prosa.Presente em sua obra, o cotidiano, o misticismo, a lembrança da infância, da terra natal, a tristeza com a doença, a dor da solidão, a sensualidade, a condenação à morte e a superação, tudo numa poesia muitas vezes prosaica, mas grandiosa.Em plena infância, aos 8 anos, descobre-se tuberculoso e começa a luta pela sobrevivência.Em 1913, foi para a Suíssa em busca da cura.Em 1914, retorna ao Brasil, em função do início da I Guerra Mundial e soube que era grave seu estado de tuberculoso. O médico não lhe deu esperanças de cura. Voltou, investiu na vida e só morreu em 1968, não como vítima da tuberculose. Mesmo assim, muitas vezes foi vítima da melancolia, das limitações impostas pela doença, da solidão e, então, criou " Pa...

O eu profundo e outros eus

Aparecida, Fernanda, Virgínia e eu chegamos em Trindade, distrito de Paraty, sexta-feira, 3 de julho, após horas de viagem pela Canoa da Serra, saindo de Cordeiro. Assustou-nos/me a pousada( estranha) e a marca 3M: mar, morro e mato, charme do lugar, não para pessoa tão urbana quanto eu.Mas sobrevivemos e até tomamos um suco no Bar da Larica ( Seria ali Amsterdam?). À tarde, finalmente, Paraty.Cultura em plenitude espalhada aos quatro cantos.Rodamos e chegamos à casa do prefeito, recebidas pela primeira dama, amiga de Virgínia, para apanhar nossos ingressos antecipados para as tendas escolhidas. Estávamos aflitas para assistirmos à 1ª mesa, "O eu profundo e outros eus", com a presença do mexicano Mario Ballantin e o brasileiro Cristóvao Tezza.Estes debateriam a questão da obra autobiográfica, a presença do eu do escritor na ficção, onde o comum é o eu lírico, o outro eu do autor . O brasileiro primava pela discrição e a elegância. Acabou meio " engolido" pela simp...

FLIP/2009: EU ESTIVE LÁ

Ir à FLIP é ter a certeza de poder voltar culturalmente renovado. É passar uns dias em estado de graça, rebatizado pela palavra de quem sabe laçá-la na escrita e soltá-la para que outros a alcancem na leitura e a "definitivem" na alma.Desconfio de que seja lá a tão sonhada Pasargada, de Manuel Bandeira. Ele, que foi o patrono da 7ªedição do evento, e que morreu sem ter visto a terra que idealizou.Mesmo sem estar fisicamente no local, ele era o amigo do rei, que enfeitou a cidade para mim e para "ty", com as personagens criadas pelo nosso poeta, entremeadas à sua história e aos locais onde a viveu. Manuel , Bandeira de nossa poesia, certamente juntou-se a Irene, a quem dedicou um lindo poema e, da mesma forma como descreveu a acolhida de sua negra querida no céu, deve ter sido recebido: " Entra, Manuel, aqui você não precisa pedir licença". De lá, ele enviou uma imensa nuvem de poesia que pairava sobre Paraty, cidade poética por tradição e proteção dos d...

Gerâneos em flor na janela

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Em criança ouvia uma música que dizia: " Felicidade é uma casinha simplezinha /com gerâneos em flor na janela/ Uma rede de malha branquinha/ E nós dois a sonhar dentro dela." Essa definição tão singela quanto irreal, hoje posso ver, acompanhou-me por muito tempo.Ser feliz então era ter uma casa com a jardineira repleta de gerâneos em flor.E eu sonhava, imaginava, desenhava essa casa e me sentia dentro dela. Faltava sempre a rede branquinha e o " nós dois" , mas o sonho se mantinha. Sonho e tempo acabam passando. Muitas vezes o tempo carrega consigo o sonho e o deixa livre para se transformar em realidade na vida do sonhador. Nem sempre o sonho se realiza inteiro. Muda a cor da rede, o tamanho da casa e deixa apenas um sonhador dentro dela. Aos outros entrega a secura da vida prática, sem nenhuma nuance de romantismo. Bom que tenha conservado os gerâneos em flor da minha janela.

Entre o ontem e o hoje

É deveras deliciosa essa viagem no tempo que tenho feito ultimamente. O motivo é um só: recompor a história de Cordeiro. E o itinerário é a ida a um passado bem longínquo , final do século 19, e aterrissar num povoado recém surgido, tão pequeno e tão simples , mas de pessoas empreendedoras e sonhadoras, a quem muito Cordeiro deve. Depois, voltar num raio de tempo ao hoje e a esta cidade , produto de bons anos de história e comparar um e outro tempo, numa mistura de saudosismo e observação do real. Saudade até dum tempo que não vivi, dos sentimentos que não senti, das construções de que minhas mãos não participaram.Salvar o passado é como buscar a salvação para si mesmo. Por isso, insisto.E o curioso é que as pontas do tempo, minhas estações de partida e chegada guardam entre si 80 anos de distância. Pesquiso na "Gazeta de Cordeiro", exemplares de 1897 e 98, por enquanto, e registro na Gazeta de Cordeiro contemporânea, jornal que se empenha em não perder a vida útil. A Gazeta ...

Escrever é preciso. Navegar...

Escrever é preciso, mas requer tempo, dedicação, persistência e preguiça.Escrever não combina com o cansaço físico no final do dia, corpo espiando a cama com um olhar lânguido, desejoso, apaixonado.Cansado, o físico contamina o cérebro, míngua a linguagem, destrói a poesia e neutraliza a imaginação. Depois dizem que todo escritor é malandro, afirmativa de que discordo, pois todos que conheço pesam profissões outras no currículo. Eu também tenho.Falo é do trabalho que cansa o corpo, como o que estive experimentando nos últimos meses: Arrumar, cozinhar, lavar e passar. Foi ótimo(?) enquanto durou. Até a ficha cair e eu sentir que há muito não pensava nem escrevia, labutava. Pior, sem nenhum afago por isso. Voltei ao ócio. Num instante reabri o blog e estou tentando reaprender a escrita.Substituiu-me Matusa ,excelente cozinheira, logo elogiada por todos na casa, que respiraram aliviados com a minha passagem de volta do fogão. Abandonei-o sim.Tentaram disfarçar, mas estão felizes. Sobreviv...

Da realidade etc e tal

Assinar jornal era a certeza de sentir prazer de ler, de somar conhecimento, de adquirir cultura geral, entretenimento... Era, pretérito. Passado, portanto. Agora, traz tristeza, preocupação,vergonha e a certeza de que a realidade em que vivemos é global. Mas meu mundo é o Brasil e é dele que surge meu texto entrecortado de desesperança. Escândalo no Legislativo, no Judiciário e no Executivo. Poderes, à exceção do Judiciário, compostos por homens eleitos pelo voto do povo e que desse povo usurpa o direito de ter uma vida econômica digna, para o próprio deleite e de seus familiares e amigos, ao usufruir de passagens aéreas , abuso de cartões de crédito, falcatruas com o dinheiro público, acúmulo de fortuna com rendas ilícitas.A imprensa descobre, denuncia, prova. Mudança? Não acontece. A eles, tudo, ao povo, nada.Educação e Saúde, sustentáculo do progresso de qualquer país que o pretenda, no Brasil é discurso de político em palanque eleitoral ( ou eleitoreiro?) que logo cai no esquecime...