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FLIP/2009: EU ESTIVE LÁ

Ir à FLIP é ter a certeza de poder voltar culturalmente renovado. É passar uns dias em estado de graça, rebatizado pela palavra de quem sabe laçá-la na escrita e soltá-la para que outros a alcancem na leitura e a "definitivem" na alma.Desconfio de que seja lá a tão sonhada Pasargada, de Manuel Bandeira. Ele, que foi o patrono da 7ªedição do evento, e que morreu sem ter visto a terra que idealizou.Mesmo sem estar fisicamente no local, ele era o amigo do rei, que enfeitou a cidade para mim e para "ty", com as personagens criadas pelo nosso poeta, entremeadas à sua história e aos locais onde a viveu. Manuel , Bandeira de nossa poesia, certamente juntou-se a Irene, a quem dedicou um lindo poema e, da mesma forma como descreveu a acolhida de sua negra querida no céu, deve ter sido recebido: " Entra, Manuel, aqui você não precisa pedir licença". De lá, ele enviou uma imensa nuvem de poesia que pairava sobre Paraty, cidade poética por tradição e proteção dos d...

Gerâneos em flor na janela

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Em criança ouvia uma música que dizia: " Felicidade é uma casinha simplezinha /com gerâneos em flor na janela/ Uma rede de malha branquinha/ E nós dois a sonhar dentro dela." Essa definição tão singela quanto irreal, hoje posso ver, acompanhou-me por muito tempo.Ser feliz então era ter uma casa com a jardineira repleta de gerâneos em flor.E eu sonhava, imaginava, desenhava essa casa e me sentia dentro dela. Faltava sempre a rede branquinha e o " nós dois" , mas o sonho se mantinha. Sonho e tempo acabam passando. Muitas vezes o tempo carrega consigo o sonho e o deixa livre para se transformar em realidade na vida do sonhador. Nem sempre o sonho se realiza inteiro. Muda a cor da rede, o tamanho da casa e deixa apenas um sonhador dentro dela. Aos outros entrega a secura da vida prática, sem nenhuma nuance de romantismo. Bom que tenha conservado os gerâneos em flor da minha janela.

Entre o ontem e o hoje

É deveras deliciosa essa viagem no tempo que tenho feito ultimamente. O motivo é um só: recompor a história de Cordeiro. E o itinerário é a ida a um passado bem longínquo , final do século 19, e aterrissar num povoado recém surgido, tão pequeno e tão simples , mas de pessoas empreendedoras e sonhadoras, a quem muito Cordeiro deve. Depois, voltar num raio de tempo ao hoje e a esta cidade , produto de bons anos de história e comparar um e outro tempo, numa mistura de saudosismo e observação do real. Saudade até dum tempo que não vivi, dos sentimentos que não senti, das construções de que minhas mãos não participaram.Salvar o passado é como buscar a salvação para si mesmo. Por isso, insisto.E o curioso é que as pontas do tempo, minhas estações de partida e chegada guardam entre si 80 anos de distância. Pesquiso na "Gazeta de Cordeiro", exemplares de 1897 e 98, por enquanto, e registro na Gazeta de Cordeiro contemporânea, jornal que se empenha em não perder a vida útil. A Gazeta ...

Escrever é preciso. Navegar...

Escrever é preciso, mas requer tempo, dedicação, persistência e preguiça.Escrever não combina com o cansaço físico no final do dia, corpo espiando a cama com um olhar lânguido, desejoso, apaixonado.Cansado, o físico contamina o cérebro, míngua a linguagem, destrói a poesia e neutraliza a imaginação. Depois dizem que todo escritor é malandro, afirmativa de que discordo, pois todos que conheço pesam profissões outras no currículo. Eu também tenho.Falo é do trabalho que cansa o corpo, como o que estive experimentando nos últimos meses: Arrumar, cozinhar, lavar e passar. Foi ótimo(?) enquanto durou. Até a ficha cair e eu sentir que há muito não pensava nem escrevia, labutava. Pior, sem nenhum afago por isso. Voltei ao ócio. Num instante reabri o blog e estou tentando reaprender a escrita.Substituiu-me Matusa ,excelente cozinheira, logo elogiada por todos na casa, que respiraram aliviados com a minha passagem de volta do fogão. Abandonei-o sim.Tentaram disfarçar, mas estão felizes. Sobreviv...

Da realidade etc e tal

Assinar jornal era a certeza de sentir prazer de ler, de somar conhecimento, de adquirir cultura geral, entretenimento... Era, pretérito. Passado, portanto. Agora, traz tristeza, preocupação,vergonha e a certeza de que a realidade em que vivemos é global. Mas meu mundo é o Brasil e é dele que surge meu texto entrecortado de desesperança. Escândalo no Legislativo, no Judiciário e no Executivo. Poderes, à exceção do Judiciário, compostos por homens eleitos pelo voto do povo e que desse povo usurpa o direito de ter uma vida econômica digna, para o próprio deleite e de seus familiares e amigos, ao usufruir de passagens aéreas , abuso de cartões de crédito, falcatruas com o dinheiro público, acúmulo de fortuna com rendas ilícitas.A imprensa descobre, denuncia, prova. Mudança? Não acontece. A eles, tudo, ao povo, nada.Educação e Saúde, sustentáculo do progresso de qualquer país que o pretenda, no Brasil é discurso de político em palanque eleitoral ( ou eleitoreiro?) que logo cai no esquecime...

Entre...ter

Entre...ter Entretive-me: estive entre o amor e a ilusão. Consegui, por um tempo, entreter seu jeito inconstante de ser. Desisti. Entre ter e ser, decidi não ter : apenas ser. Preferi sofrer a ter-me entre você e a idéia de me enganar e novamente não ser. Só entreter. 23/09/02 Este poema foi feito , na verdade, para ajudar meus alunos na aprendizagem do verbo entreter, sempre tão mal conjugado. Entretive, entretenho,entreterei, quando entretiver, se entretivesse. Na verdade, não quero ser objeto de mero entretenimento para ninguém.

Reflexões outonais

De repente...folhas secas e farfalhantes resolvem ocupar espaço sob as copas que antes ajudaram a formar.Injustiça da natureza?Não, apenas um novo ciclo que se inicia. Interessante o voo da queda das folhas, vindas do alto dos galhos, rodopiando, leves que são, muitas vezes fugindo da trilha,distanciando-se rumo a outras paragens.Qual seria o destino das velhas folhas, empurradas do leito de onde ofereceram sombra por todo o Verão? Certo buscam a raiz , querem morrer aos pés da mãe, fertilizar o solo que a alimenta. Isto quando não vem o vento ou o varredor e carrega tudo pra lá...Roda vida...Roda o tempo. É Outono de novo, mas um novo Outono. Que frutos trará?É preciso permitir-se sentir o ar adocicado para outonar à espera do inverno. Um desejo intenso paira no ar. É o cio da alma e do corpo. Esperança do amor que não chega, correndo risco de acabar como o Verão, derrotado pelo tempo em sua marcha inexorável. As árvores estão desnudas, saudosas das folhas, pelos de seus galhos ag...