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Hoje é Dia dos Namorados

Bom seria se fosse Dia do Amor. Ou já é? Sim, o amor está entremeado no n amor o e em todas as suas variáveis: n amor ar, n amor ando, n amor ador,n amor ado... Mas acho que anda meio embaçado, quase invisível. Apesar da corrida às floriculturas, dos presentes, dos lindos cartões e dos encontros programados para hoje, falta algo no namoro . E é justamente o amor. Muitos o sentem, mas têm vergonha de expressá-lo; outros o expressam, mas não o sentem. E como está fugaz este sentimento!Lido com essa realidade no cotidiano contato com namorados. Por isso gostaria muito que fossem n amor ados, pois, sem amor, o relacionamento se fragiliza e os seres migram muito rápido.E veja que o amor já foi considerado um sentimento eterno. Depois, passou a ser eterno somente enquanto dura. E quanto tempo dura hoje o amor? Relacionamentos podem durar o tempo de um beijo ou um passageiro " ficar" numa noite , numa festa, num lugar , sem que sentimentos se envolvam. Pura curtição. Outros casos de...

Preciso voar

A janela estava aberta, eu olhava, mas não via. Sentada no sofá, acho que me acomodei na certeza de que tudo mudara.Não via o que se passava lá fora. Sob meus olhos cegos, despojados de maldade , o tempo voltava a um tempo anterior, distante, mas sempre de volta. Hoje ele veio e aqui se instalou. Sinto-me agora como uma rocha que se desgasta aos poucos , diante das fortes batidas da água. De repente ouvi cada rugido da onda violenta a anunciar uma tempestade sem igual. Poderia haver ainda alguma tempestade maior do que as que eu já enfrentara? Não, eu já vira todas. Pensei que poderia surgir um som novo, diferente, que quebrasse o gelo dos meus sentimentos, fruto de sonhos esmagados pela cruel realidade de outrora. Ledo engano. Nada mudou. A fúria com que cada onda se aproxima mexe com meus nervos, cega-me. Permaneço inerte. As asas parecem quebradas, murchas, coladas no meu pequeno corpo. A tempestade foi passando aos poucos. Não foi diferente das outras, mas provocou medo.Medo de não...

Porta aberta: entrei

Porta aberta, entrei. Escolhi o sofá menor, sou pequena. Agora, da janela, olho a paisagem e penso em voar. Gostaria de ir para longe. Não, para Pasárgada, não.Para lá foi Manuel Bandeira, desejoso de uma liberdade jamais desfrutada, de magia, de transformação, de poder.( "Lá sou amigo do rei") Quero ir mais longe, vencer o medo que nem sei de quê. Quero voar, mas estou presa ao sofá, este mesmo, que me aguardava quando entrei e nele sentei sem perceber seu estampado apagado pelo tempo e pelo pó, mas com um poder incrível de prender. Este sofá me quer gaivota que não voa, escreve. Que não sonha, reflete. Que não olha, vê.Por isso colocou-se frente à janela. Agora é ficar. Aceitei as regras e o jogo se inicia. Não sei se escreverei muito ou pouco. Se darei espaço à poesia ou não. Se haverei de me prender à dura realidade do mundo, ou se vagarei pelo universo da ficção. Se permanecerei sentada neste sofá ou se alçarei vôo.Sou gaivota, ora. Gaivotamada

Da arte de chegar

Poder chegar é um desafio. Saber chegar é uma arte. Quero poder, quero saber, quero espaço para voar, pois sou gaivota teimosa. Aqui vou imprimir um pouco do que penso, do que vejo, no que creio. Crer no que escrevo , porque será verdadeiro. Pode ser. Mas vou fingir ser verdade a verdade que escreverei. Como o verdadeiro poeta que sonha alcançar num vôo a morada da poesia. Por agora, só anuncio minha chegada. Com licença. Vou entrar.