Preciso voar

A janela estava aberta, eu olhava, mas não via.

Sentada no sofá, acho que me acomodei na certeza de que tudo mudara.Não via o que se passava lá fora. Sob meus olhos cegos, despojados de maldade , o tempo voltava a um tempo anterior, distante, mas sempre de volta. Hoje ele veio e aqui se instalou. Sinto-me agora como uma rocha que se desgasta aos poucos , diante das fortes batidas da água. De repente ouvi cada rugido da onda violenta a anunciar uma tempestade sem igual. Poderia haver ainda alguma tempestade maior do que as que eu já enfrentara? Não, eu já vira todas. Pensei que poderia surgir um som novo, diferente, que quebrasse o gelo dos meus sentimentos, fruto de sonhos esmagados pela cruel realidade de outrora. Ledo engano. Nada mudou. A fúria com que cada onda se aproxima mexe com meus nervos, cega-me. Permaneço inerte. As asas parecem quebradas, murchas, coladas no meu pequeno corpo. A tempestade foi passando aos poucos. Não foi diferente das outras, mas provocou medo.Medo de não retomar forças para voar. De ter que ficar.De precisar enfrentar a fúria, a fera, a falsidade anunciada.Preciso reunir forças para decidir. reciso voar.

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