Que pesadelo,Maneco








Ser botafoguense é ter uma capacidade imensa de suportar.É ser envolvido por um colete à prova de bala que protege o coração.Desde menina passo por isso. Acompanhava seu Manoel Tavares ( meu amado pai) assistindo às partidas do Botafogo na TV e paralelamente ouvindo-as no radinho de pilhas. A cada ataque, a favor ou contra o nosso time, ele ia se esticando no sofá a ponto de quase cair dele. E quando alguém o chamava a atenção por causa da pressão que sempre estava alta, dizia que nem estava ligando para o jogo. Que gostava mesmo era de futebol, independente do resultado. Nada disso. Sofria sim, queríamos a vitória, por que não? E quase sempre ela não vinha. Decidimos não esperar mais bons resultados , pois que o Botafogo era (é) um time imprevisível. Se joga com um clube bem situado na tabela, a gente se prepara para o pior, ele nos surpreende e ganha. Se joga com um nem tão bem , nos tranquilizamos e lá vem derrota. Tudo bem, perder e ganhar faz parte do jogo. Mas perder de 5x0 é demais. Fazer o quê? Amar é coisa séria e mágica. Passado o momento da decepção, olha nós já  louquinhos pela nova partida e  torcer muito pelo Botafogo outra vez. Guardo com carinho uma camisa do time que foi de papai e uma faixa que deram a ele  de CAMPEÃO BRASILEIRO em 1995, com o nome dos jogadores no verso:
Wagner,Goiano,Gottardo,Gonçalves, Iranildo,Jamir, Beto, Leandro Sérgio Manoel, Túlio e Donizete. O técnico era Paulo Autran. Guardo também meu pai no coração como o maior amigo e incentivador que tive. Hoje vejo que não era botafoguense por acaso. Passou-me a lição de que a vida é feita de desafios e que nem sempre vencemos  e que o mais importante  é amar e respeitar em nome desse amor.
Vamos, Maneco, vencer é preciso!

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