A cada manhã

Observe a terra.
A cada manhã, tudo cheira a recomeço. O Sol vai despontar igual, mas não do mesmo jeito. A flor vai reabrir , mas diferente da primeira vez. O broto desponta no chão e não é da mesma planta.O homem desperta para a vida e não é mais o mesmo. Assim se faz porque é a forma de se manter com vida e dar continuidade à espécie, pela mudança. Mudar é que é continuar. Mudar sem perder o perfil é a grande arte. A rotina desgasta e a natureza sabe. É preciso ser outro, sendo o mesmo. Manter vivo o ritual, mesmo que partindo do final.Ser todo dia sempre igual, mas diferente. Beijar a mesma pessoa a cada manhã, mas com sabor diferente do beijo ao anoitecer. As estações do ano garantem todo ano a mudança necessária ,aguardada pelo fastio que a anterior deixou. Vai o Sol, vem a Lua. Ficamos nós, mutantes por opção, no aguardo da nova fase do mesmo momento. Assim o amor. Se esgota aqui, pode ressurgir ali. Mas não o mesmo , nunca mais o anterior. Nunca mais com o mesmo sabor. Mas é preciso amar. A cada manhã.

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