UM DIA DIFERENTE

Hoje amanheceu como amanhece cada novo dia.
Por ser maio, o sol demorou um pouco a brilhar,chegando sorrateiro, com medo do inverno que se aproxima.Mas sendo domingo e dia das mães, nem a ausência de sol empanaria minha expectativa de ter um dia iluminado de paz e harmonia.Fico fingindo uma naturalidade que não existe, como se não soubesse o que caracteriza esse domingo diferente. Ouço ruídos de porta e não identifico o quarto. De quem seria o primeiro abraço? E se não houver nenhum abraço?
Sei que a criação desta data pode ser um marco mais comercial que de reconhecimento, mas é fato que nos sensibiliza e até fragiliza na ânsia de ser lembrada, abraçada , embalada por quem já embalou e guardou nos braços , aos abraços e carinhos sem ter fim.Ligo o computador e surge um rosto conhecido e uma legenda: "Feliz Dia das Mães! Te amo!" Era o Fábio. Mais abaixo , uma mensagem e " Te amoooooo!", era Roberta. Fiquei tão feliz! Fui acabar de preparar a muqueca e aí os quartos se abriram e os abraços ao vivo e em cores. Toca a campainha. É Márlus e a família. Novos abraços somados ao do meu marido. Presentes? Houve sim, mas os abraços, estes sim, calam fundo em minha alma. Sou mãe há mais de quarenta anos , mas a cada domingo destinado às mães o dia é diferente. É o amor que se renova na paz e na harmonia de estar juntos, mãe e filhos, unidos pelo cordão umbilical que foi cortado , mas não foi extinto.

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